4 de maio de 2026·6 min de leitura

Diferença entre hepatite A, B e C

CRM-BA 36009RQE 29003Revisão clínica

Hepatite A, B e C são inflamações do fígado causadas por vírus diferentes. Apesar de compartilharem o nome, são doenças com comportamentos bastante distintos: a forma como cada uma é transmitida, como evolui no organismo e como é tratada muda significativamente de um tipo para o outro.

Hepatite A

A hepatite A é causada pelo vírus HAV e se transmite principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas. É uma doença aguda, o que significa que o organismo consegue eliminar o vírus por conta própria na maioria dos casos.

Os sintomas costumam aparecer entre 15 e 50 dias após o contágio e incluem cansaço intenso, náuseas, icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), dores abdominais e urina escura. Em crianças, a infecção frequentemente passa sem sintomas evidentes.

Não existe tratamento específico para hepatite A. O acompanhamento médico é feito para monitorar a evolução, garantir repouso e hidratação adequados e evitar medicamentos que sobrecarreguem o fígado. A maioria das pessoas se recupera completamente em algumas semanas.

A boa notícia é que existe vacina disponível contra o HAV, incluída no calendário vacinal do SUS. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção.

Hepatite B

A hepatite B é causada pelo vírus HBV e se transmite pelo contato com sangue, secreções sexuais ou de mãe para filho durante o parto. Não se transmite por aperto de mão, abraço, talheres compartilhados ou picada de mosquito.

O que torna a hepatite B mais complexa é que ela pode se tornar crônica em uma parcela dos infectados. Em adultos, cerca de 5% a 10% dos casos evoluem para a forma crônica. Em bebês infectados no parto, esse risco sobe para até 90%, o que reforça a importância da vacinação logo após o nascimento.

A infecção crônica pelo HBV, quando não tratada, pode levar à cirrose e aumenta o risco de câncer de fígado ao longo dos anos. Por isso, pacientes com hepatite B crônica precisam de acompanhamento regular com hepatologista, mesmo quando os exames parecem estáveis.

O tratamento depende da fase da doença e da carga viral. Nem todos os pacientes com hepatite B crônica precisam de medicação imediata, mas todos precisam de monitoramento periódico para decidir o melhor momento de iniciar ou não o tratamento.

Existe vacina contra o HBV, disponível gratuitamente no SUS para todas as faixas etárias. A vacinação é considerada uma das intervenções de saúde pública mais eficazes já desenvolvidas.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia mantém diretrizes atualizadas sobre o manejo da hepatite B crônica no Brasil.

Hepatite C

A hepatite C é causada pelo vírus HCV e se transmite principalmente pelo contato com sangue contaminado. Os principais fatores de risco incluem uso de drogas injetáveis, procedimentos com materiais não esterilizados, transfusões de sangue realizadas antes de 1993 (quando o rastreamento ainda não era obrigatório no Brasil) e, em menor grau, relações sexuais sem preservativo.

Diferente das hepatites A e B, não existe vacina contra a hepatite C. Outro ponto importante: a grande maioria das pessoas infectadas pelo HCV não apresenta sintomas na fase aguda. Isso faz com que muitos casos sejam descobertos apenas anos depois, quando já existe algum grau de fibrose ou cirrose.

A hepatite C crônica é a forma mais comum da doença. Sem tratamento, pode evoluir para fibrose hepática, cirrose e câncer de fígado ao longo de décadas.

A boa notícia é que a hepatite C tem cura. Os tratamentos atuais com antivirais de ação direta alcançam taxas de cura superiores a 95% na maioria dos pacientes, com poucos efeitos colaterais e duração de 8 a 12 semanas. O tratamento é disponibilizado pelo SUS para todos os pacientes elegíveis.

O Ministério da Saúde oferece informações detalhadas sobre o acesso ao tratamento da hepatite C no Brasil.

Quando procurar um hepatologista

Independentemente do tipo, qualquer diagnóstico de hepatite merece avaliação com um especialista em doenças do fígado. Alguns cenários que indicam a necessidade de consulta:

  • Resultado de exame indicando hepatite B ou C, mesmo sem sintomas
  • Exames hepáticos alterados de forma persistente sem causa definida
  • Histórico de transfusão de sangue antes de 1993
  • Contato com pessoa diagnosticada com hepatite B ou C
  • Dúvida sobre necessidade de tratamento ou acompanhamento

O hepatologista vai avaliar o estágio da doença, solicitar os exames necessários e definir se o tratamento deve ser iniciado ou se o acompanhamento periódico é suficiente para o momento.

Resumo comparativo

Hepatite A: transmissão oral-fecal, sempre aguda, cura espontânea, tem vacina.

Hepatite B: transmissão sanguínea e sexual, pode ser aguda ou crônica, tratamento disponível, tem vacina.

Hepatite C: transmissão sanguínea, frequentemente crônica e silenciosa, tem cura com antivirais, sem vacina disponível.

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Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Se você tem exames em mãos ou quer entender melhor o seu caso, entre em contato.